[...]Bruno Paulino eu não conhecia nem de nome. Agora conheço um
pouquinho. Não sei se publicou mais tomos ou se escreve short stories, poemas,
romances. Este é de crônicas. E o título ele o colheu da primeira. E onde ficam
as Marinheiras? Talvez em Quixeramobim, sertão do Ceará, terra de antigos
Maciéis e Araújos e de onde partiu aquele velho Antonio Conselheiro para
incendiar o Brasil. Virá daquele tempo ou daquelas paragens o título do escrito
e do impresso? Quiçá de uma canção de Fausto Nilo, também nascido naquela
cidade.
Não sei se são feitas de memórias as páginas de Bruno Paulino. Se não
são, serão de observações. E isso dá no mesmo, pois não se pode falar do que se
vê ou se verá, porém do visto. E o que viu o cronista? Viu-se “péssimo atirador
de baladeira”, para deixar “em paz os passarinhos” e, assim, se deixar em paz.
Menino desajeitado, incapaz de matar o menor dos seres vivos. De igual modo
agiram o compositor Fausto Nilo e todos os poetas de todos os tempos e todas as
latitudes. Porque matar, seja passarinho, raposa ou gente é sina de maldade.
Embora seu pai não fizesse isso (matar passarinho) por maldade. Pois Bruno sai
em passeio pelo passado, por gentes e bichos, terras e águas (mesmo as poucas
do sertão). Por sua Quixeramobim (“lugar quente, um verdadeiro miolo de
vulcão”). Revisita seus pais, Patativa do Assaré, pessoas de sua cidade natal,
o poeta Quintino Cunha e diversos viventes.
Fortaleza, 27 de maio de 2013.
Por Nilto Maciel, escritor, ensaísta, contista e romancista.
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