A Menina da Chuva (Premius – 2013) caiu nas minhas mãos feito chuva de
caju, como água fria no meio da tarde em Quixeramobim. O livro cai como chuva
não apenas por ter chuva no nome, mas por ser chuva mesmo pra quem tem sede.
Palavras úmidas de chuva, de lágrima e de lembrança, na sombra do Serrote do
Boqueirão.
Bruno Paulino, com seu livro, salpica de sal as trivialidades do
Quixeramobim e de seu mundo próprio, e vai temperando suas experiências de moço
com as palavras que são pensamentos seus profundos de uma vida ainda curta, mas
já muito refletida - mesmo que com palavras simples, à moda de Cora Coralina.
E me traduz à sua maneira. A menina da chuva sou eu, um menino da chuva
de uma terra sem muita chuva. Sou eu quem pega aquele retrato. Sou eu quem caminha
nas ruas da cidade antiga com medo de passar no beco da Maria Helena doida.
Amizades.
Pensamentos.
Cabelos brancos.
Começos de amores.
Saudades.
Crônicas que sei que cada vez que são lidas serão novas de novo, como as
boas crônicas. Tornei-me Bruno e gostei. Bruno anda ainda mal acostumado com a
sua juventude. Seu corpo juvenil perscruta o mundo com um olhar meio
sexagenário - mal dos inteligentes! E daí suas crônicas com gosto de memória,
com uma pitada de melancolia - memórias velhas precoces, apertadas em um baú
pequeno de anos (mas carregado por um bonito sorriso de menino).
Por Samuel Cavalcante, Sociólogo e Tradutor.
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