Sem sobra de dúvida, o quixadaense Jards Nobre é um escritor maduro, que não usa bijuterias
para enfeitar o texto, embora
seja com apurada precisão que lapide as palavras. Gostei de tudo no seu novo
livro que já li mais de duas vezes.
Pássaros sem
Canção (Corsário –
2013), desde seu título belo e triste - a beleza, às vezes, é triste - até o
desfecho do enredo que culmina no fantástico se faz um
livro surpreendente (creio que toda ficção que se prese tenha que vir
a ter um final surpreendente). Gostei do sertão chuvoso pintado pelo
autor, onde pulsa a vida, e as paixões se procuram aquecer, e, nesse aspecto, o
livro lembrou-me um pouco o sertão de "Aves de Arribação", do
cearense Antônio Sales.
Admirável e habilidosa é a maneira
realística como é narrada no livro à saga do mundo mesquinho e hipócrita
devorando os sonhos e os amores dos personagens principais. Por isso, Pássaros
sem Canção inquieta, toca o leitor e o faz (re)pensar posicionamentos
consagrados pela cultura, pela mídia, pela moral e pela sociedade, bem ao modo
como fazia o carioca Nelson Rodrigues em suas crônicas, contos e peças, ou
ainda como o fez o nosso cearense Adolfo Caminha em seus romances A
Normalista e o Bom-Crioulo, mas sem, no entanto – chamo
atenção - ficar Jards limitado ou preso a essas referências na
construção da trama. Por tudo isso, Pássaros sem Canção é um
livro raro, muito bem escrito e que não cabe em gaiola nenhuma, pois seu
destino é voar longe, livre através do tempo, e quem saberá professar regido
por qual melodia?
por Bruno Paulino
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