Pra falar do Livro Lá nas Marinheiras e outras crônicas
é preciso que se fale do seu autor, então eu vos falo, é um cabra forte, que
não se intimida diante das palavras, diante de Manuel Bandeira, Fausto Nilo,
Badu, Suassuna, Quintino Cunha, Guimarães Rosa, Mestre Piauí e tantos outros
artistas (estes sim fazem arte) citados outrora pelo nosso,
nosso, nosso... Ah, esse cara é difícil e definir; às vezes tomo a liberdade
(embora o tempo nos tenha afastado das cervejas, rodas de conversas,
ser-tões... Hey, João...) de parafrasear o velho Raul chamando-o de
“metamorfose ambulante”, já que quando tive a sorte de conhecê-lo era meio
caetânico — se perdia por vezes em London, London — vascaíno (hoje alterna
entre Corinthians devido ao Fenômeno 9, Fluminense, devido ao Chico Buarque e
Vozão, por ideologia política e regionalismo) rebelde de calça jeans chinelo de
couro, meio sertânico, e metido a intelectual vagabundo, burguês e jogador de
vídeo game.
Nunca foi “um marmanjo, um anjo com um arranjo de
flores pra uma mulher feito com as asas cortadas que Deus lhe deu”, embora
curta pra caramba Nelson Gonçalves, Odair José, Belchior e outros desses últimos
românticos. Lia um livro aqui e aculá pra posar de intelecto pros colegas de
sala dos quais a vida se resumia em For Alls. Era o “queridinho” dos
professores, pelo menos da Professora de Literatura, Ellen, a quem os colegas
diziam ser sua mãe e, ela o tratava como tal. Vivia citando
Nietzsche (só é possível filosofar em alemão, mas filosofávamos nas aulas de
Inglês).
Hoje vejo que “a parada” de ser poser que inventava ler
livros pra impressionar, lendo ou não,talvez só as orelhas, funcionou e o
transformou num cabra que me deixa com um “orgulho rei” besta de ter tido a
sorte de ter sido professor dele, embora de Inglês, onde ele aprendeu somente a
dizer “oxente” ao invés do temido e odiado Verb To Be;
afinal, já é mais do que provado que aulas de Inglês servem pra tudo, menos pra
se aprender a dizer um “What a wonderful world!”.
Por muitas vezes fui obrigado a ler certos poetas,
escritores e ouvir certos cantores pra poder responder seguramente certas
perguntas que ele me fazia, sou grato por isso, mas ele não pode saber, assim
como também não pode saber que é e será um bom escritor de
crônicas dominicais. Suas estorinhas metidas a engraçadas, que retratam suas
experiências me fazem lembrar Drummond, Bandeira,Quintana, Luis Fernando
Veríssimo (seu autor preferido) e tantos outros que viam nas palavras mais
simples e vividas (ou vivas) uma poesia pura e rica em significado. Pois é...
Mal sabe ele que, ele assim, cavou sua própria cova perdendo o paraíso (mas,
segundo Fausto Nilo, a porta do inferno é a luz do paraíso) e ganhando tamanha inteligência, demência,
felicidade, nessa cidade pequenina, mas tão grande. O que posso dizer hoje é:
Vai Bruno! O mundo é teu, e tu podes transformá-lo em poesia pra aliviar as
dores dos mundos de muitos!Bruno Paulino, this is the man!
Por João Paulo da Silva
Barbosa Especialista em Literatura Brasileira.
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