quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Puxando as orelhas...

Pra falar do Livro Lá nas Marinheiras e outras crônicas é preciso que se fale do seu autor, então eu vos falo, é um cabra forte, que não se intimida diante das palavras, diante de Manuel Bandeira, Fausto Nilo, Badu, Suassuna, Quintino Cunha, Guimarães Rosa, Mestre Piauí e tantos outros artistas (estes sim fazem arte) citados outrora pelo nosso, nosso, nosso... Ah, esse cara é difícil e definir; às vezes tomo a liberdade (embora o tempo nos tenha afastado das cervejas, rodas de conversas, ser-tões... Hey, João...) de parafrasear o velho Raul chamando-o de “metamorfose ambulante”, já que quando tive a sorte de conhecê-lo era meio caetânico — se perdia por vezes em London, London — vascaíno (hoje alterna entre Corinthians devido ao Fenômeno 9, Fluminense, devido ao Chico Buarque e Vozão, por ideologia política e regionalismo) rebelde de calça jeans chinelo de couro, meio sertânico, e metido a intelectual vagabundo, burguês e jogador de vídeo game. 

Nunca foi “um marmanjo, um anjo com um arranjo de flores pra uma mulher feito com as asas cortadas que Deus lhe deu”, embora curta pra caramba Nelson Gonçalves, Odair José, Belchior e outros desses últimos românticos. Lia um livro aqui e aculá pra posar de intelecto pros colegas de sala dos quais a vida se resumia em For Alls. Era o “queridinho” dos professores, pelo menos da Professora de Literatura, Ellen, a quem os colegas diziam ser sua mãe e, ela o tratava como tal. Vivia citando Nietzsche (só é possível filosofar em alemão, mas filosofávamos nas aulas de Inglês).

Hoje vejo que “a parada” de ser poser que inventava ler livros pra impressionar, lendo ou não,talvez só as orelhas, funcionou e o transformou num cabra que me deixa com um “orgulho rei” besta de ter tido a sorte de ter sido professor dele, embora de Inglês, onde ele aprendeu somente a dizer “oxente” ao invés do temido e odiado Verb To Be; afinal, já é mais do que provado que aulas de Inglês servem pra tudo, menos pra se aprender a dizer um “What a wonderful world!”.

Por muitas vezes fui obrigado a ler certos poetas, escritores e ouvir certos cantores pra poder responder seguramente certas perguntas que ele me fazia, sou grato por isso, mas ele não pode saber, assim como também não pode saber que é e será um bom escritor de crônicas dominicais. Suas estorinhas metidas a engraçadas, que retratam suas experiências me fazem lembrar Drummond, Bandeira,Quintana, Luis Fernando Veríssimo (seu autor preferido) e tantos outros que viam nas palavras mais simples e vividas (ou vivas) uma poesia pura e rica em significado. Pois é... Mal sabe ele que, ele assim, cavou sua própria cova perdendo o paraíso (mas, segundo Fausto Nilo, a porta do inferno é a luz do paraíso) e ganhando tamanha inteligência, demência, felicidade, nessa cidade pequenina, mas tão grande. O que posso dizer hoje é: Vai Bruno! O mundo é teu, e tu podes transformá-lo em poesia pra aliviar as dores dos mundos de muitos!Bruno Paulino, this is the man!


Por João Paulo da Silva Barbosa Especialista em Literatura Brasileira.

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